AS MORTES CAUSADAS POR ACIDENTE DE TRABALHO NÃO PARAM!
13 de outubro 2025, dois trabalhadores morrem, em Lisboa, por queda do andaime onde trabalhavam.
A Associação Nacional dos Deficientes Sinistrados do Trabalho-ANDST lamenta mais este acidente mortal e disponibiliza aos familiares das vítimas, gratuitamente, todo o apoio (jurídico, psicológico e social) de que necessitem.
Este acidente confirma a triste figura de Portugal no ranking dos países da Europa em acidentes de trabalho, como confirmam as estatisticas do Eurostat.
No ano de 2024, foram mais de 184 mil (760 por cada dia de trabalho) os acidentes de trabalho registados em Portugal.
O elevado número de acidentes está certamente ligado à desregulação e alargamento do horário de trabalho, ao aumento dos ritmos do trabalho, do trabalho por turnos e do trabalho sem direitos, em especial nos setores de maior risco, como a construção civil, o comércio e a indústria e a agricultura.
Ao longo dos anos, Ministros, Secretários de Estado e outros responsáveis pela tutela do trabalho têm feito juras de redução dos acidentes de trabalho, mas Portugal continua firme, no topo dos países europeus com mais acidentes.
Aguarda-se agora, as conclusões do inquérito que obrigatoriamente tem que ser feito a este acidente.
Como reiteradamente a ANDST tem denunciado, é necessária e urgente uma política que, de facto, promova e garanta medidas de proteção da saúde e da vida dos trabalhadores no trabalho e enquanto trabalham. E agora, que proteção para a família destes trabalhadores?
Até quando irá prevalecer um regime jurídico que não protege, como devia, os trabalhadores vítimas de acidente de trabalho e dos seus familiares?
Até quando vai prevalecer a ausência de censura política, em especial de Belém e São Bento, por tantas mortes em acidente de trabalho?
O governo prepara-se para, com o apoio dos representantes patronais, aprovar o novo pacote laboral que, pelo que conhecemos e é público, vai aumentar a precariedade, os ritmos do trabalho, desregular ainda mais o horário de trabalho, facilitar os despedimentos, aumentar a discriminação e a insegurança no emprego, entre outras malfeiturias.
A ANDST receia que, com este pacote laboral, aumente o número de acidentes de trabalho e das doenças profissionais, com elevados prejuízos para os trabalhadores e seu agregado familiar, para as empresas e para a economia do país.
Outubro 2025
Direção nacional da ANDST